Friday, June 13, 2008

desisti de pensar muito, resolvi pensar bem

Minha cabeça fica cheia de pensamentos e imagens, tento controlá-los, em vão. A fadiga tom conta de mim, me cansa ficar imaginando o futuro pretérito. Busco, então, uma posição relaxada e fico tentando pescar despensamentos. Esta é minha maneira de esvaziar-me do mar de conflitos que inunda minhas idéias.

Começo o dia com os aborrecimentos crônicos do cotidiano. Primeiro que o jornal não está à mão, numa bandeja de café fresco, pão-manteiga e frutas. Mordomia que nunca tive e sempre quis. O negócio é ir à luta.
Uma padaria decente, limpa e com serviços confiáveis é a coisa mais rara neste pequeno trecho distrital, dado que o povo daqui tratou de fazer com que, seja lá o que for feito, ainda somos Goiás e para sempre seremos! Em Goiás o pão é caseiro, o sujeito que vai tomar café da manhã na padaria está fora dos trilhos. Café na padaria é coisa de paulista, de trabalhador de escritório. Como o peão daqui toma café em casa, o peão de fora acaba tendo q tomar café nas banquinhas improvisadas no meio da rua. Não há muita diferença entre as banquinhas montadas ao lado dos pontos de ônibus e as padarias daqui deste bairro... exceto pelo cheiro de mijo. Hoje senti forte cheiro de barata na padaria. Nem reclamo mais. Estou dócil, enfim. Ninguém mais vai me ver fazer cara feia e brigar só por que tem lixo na porta da padaria, ou porque a máquina de café nunca funciona, nem mesmo quando deixarem de ter pão na hora que todo mundo ta indo comprar o lanche da tarde... eles que contratem consultores, se quiserem melhorar, eu vou pegar o carro e ir para as padarias do plano piloto.

Enjoei do plano piloto! Selecionei três ou quatro lugares suportáveis lá, e me repito, par anão correr o risco de ser sempre frustrada nas minhas tentativas de ser bem tratada, de ter a grana que eu gasto valorizada por quem a recebe. Acaba que é isso, vai tudo para o plano piloto. Lá o empresário cuida que o cliente seja atendido e volte. Daqui descem os trabalhadores, às centenas. Aqui no bairro ficam os trabalhadores menos qualificados, os recém chegados da roça, ou que vieram trabalhar no negócio de alguém da família. Muitos crentes. Eu cética. I am.

Mesmo tentando fugir do aglomerado que é o plano piloto, não consigo deixar de me incomodar com abusos de vizinhos. O meu tem 1000 metros para ele, mas só lava o tapete jogando água em cima de mim!

Nunca quis ser colunista, mas sempre li as colunas sociais, desde Katucha. Sempre achei o cúmulo da futilidade, mas sempre li, até para entender pq gastar linhas com a saia linda da fulana, ou com a descrição detalhada de uma mesa de doces... Leio os jornais por hábito mesmo. Não tenho forças para reagir contra o vício. A incapacidade de reter na memória o que leio e a enorme preguiça de reagir escrevendo para o jornal fazem parte de outra característica minha, a imensa preguiça. Leio por preguiça de fazer a faxina, de empreender algo, de cuidar de mim, de ter dentes suficientes para aparece na coluna social.

Com preguiça exagerada até para a faxina de casa, imagina se tenho força de vontade para assumir um papel mais ativo na geopolítica do continente!

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