Friday, June 13, 2008

detesto ter razão

A razão me faz chata, ranzinza , resmungona. Sabe a “tia” supervisora, inspetora de segurança? Sou eu, sem treinamento profissional, fico parecendo aquelas velhotas neuróticas, vigiando as nuvens no horizonte enquanto todos se divertem na cachoeira, sacumé? Mas, às vezes dou razão à intuição, que ao contrário, é mágica, sem explicação, mas com a certeza de ser o correto. Ainda antes de ontem tive uma intuição, escolhi não ir adiante num passeio que não me pareceu seguro e tive que arcar com o com o conseqüente mau humor de quem queria seguir explorando as margens do córrego barrento até uma outra queda de água que justificasse a sacrificada caminhada até ali.eu sou a mãe chata que não merece favores nem licença, que merece ser castigada por ter sua esdrúxula vontade prevalecer , ainda que meros segundos. Eu sou a bruxa má que fica repetindo como é perigoso este tipo de passeio, sem guia, cuidados com chuvas nas cabeceiras, troncos soltos, cobras e outros tipos de animais do habitat natural, pedras escorregadias, saltos em poços, fora as perebas! Logo, eu sou a que deve ser castigada e mantida escrava. No entanto, eu estava correta na minha razão/ intuição. Beira de rio, assim como beira do mar, tem delícias e horrores. Sem saber, talvez estivesse salvando nossas vidas. Registrei minha decepção por não encontrar corrimão e equipamentos de segurança, a atendente da recepção me respondeu vagamente como se o lugar estivesse 100%.Tava nada! Já no começo da trilha senti falta da sinalização representada no mapinha distribuído na entrada - atente-se: um fato raro para o estado de Goiás, que carece de papel desde os tempos de Dom João! Só de ter uma informação por escrito já me sinto confiante e abusada o suficiente para me embrenhar na mata. Mas, ao ver que a realidade não era condizente com o marketing, não ousei um passo além. Hoje lamento ao tomar conhecimento da fatalidade que sofreu um morador de Brasília, proprietário de casa na vila de São Jorge, portanto, freqüentador assíduo de beira de rios, inclusive o córrego Raizama. Aprendi com minha mãe, todo cuidado é pouco, pois todo perigo é muito!

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