Naco de pensamento 14/02/2008
Alguma coisa botou na minha cabeça que gosto de Machado de Assis, assim, leio-o sempre que calha. Houve tempo em que atribuí meu hábito de leitura de livros de bolso ao período em que morei na Inglaterra. Mas hoje percebo que eu já lia edições de bolso vendidas em bancas, que eu encontrava nos armários dos tios. Depois que alcancei altura suficiente para pegar os livros dos tios e tios escondidos sobre os armários “fora do alcance de crianças, passei muitas chuvas de verão me deliciando com estórias de cowboys e romances urbanos. Mas, na Inglaterra era diferente, eu lia os clássicos, Aghata Cristhie (é assim que se escreve?),sir Doyle, Poe, tudo em pocket nas longas viagens de ônibus. Hoje já os vejo nas lojas que importam, são da mesma editora. Editoras são instituições bem sólidas e lucrativas. O fenômeno da digitalização do mundo, da popularização do acesso virtual e demais tecnologias mais recentes, só fizeram ampliar também a demanda e a produção de material impresso. Hoje leio pockets da l&pm, ainda resistente aos traduzidos, preferindo ler nas línguas originais, mas sem muito acesso, pois estamos atrasados na importação por mais que tenhamos nos adiantado aos tempos em que estive inglesa. Luto contra a tentação de tê-los todos em casa, não há espaço, como nas casas de operários ingleses. Penso em investir num projeto de acervo comunitário. Um depósito para meus livros e acesso para outros leitores. Ou talvez engrosse acervos já estruturados: o projeto de livros nas paradas de ônibus, ou a biblioteca do presídio, onde já temos cursos de licenciatura. De qualquer maneira continuo adquirindo-os nos aeroportos, e lendo-os nos caminhos. O fato de ter que dirigir, eu já observara uma vez, me tirou muito do hábito de leitura. Estou retomando a disciplina. Também vou tentar tocar leituras. Isso dá mais trabalho por que tenho que voltar a freqüentar a comunidade leitora. Ou seja, necessariamente voltar ao mundo virtual. Isso, para estar em contato com o mundo. Andei até me esforçando para fazer visitas. Consegui ir ver o Ricardo e a Rosiene, com sua família de leitores. Deixei o Moonfleet e O Deus Das Pequenas Coisas. Trouxe Machado de Assis: Ressurreição. Não deitei lágrima nenhuma. Li-o devagar, adorando as palavras as descrições, a narração. Suspirei ao final, pensando se eu também não tenho um coração frio, desconfiado e portanto fadado a ser infeliz.
Nacos de pensamento
Penso e não desisto, escrevo por que insisto em me manter fazendo algo que não seja só ver tevê e ler o que vem carimbado pelo tesouro nacional...

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