O único problema de ter casa é que temos que lidar com a vontade de ficar em casa. Além disso, o serviço doméstico é extremamente fatigante, não acaba nunca. Ainda estou às voltas com o arquivo do lar, todo enfiado em sacos plásticos azuis, prontos para despejo, mas ainda devendo preencher os fichários para notas de eletrodomésticos e garantias, recibos de contas pagas classificadas por empresa e data, recibos e registros de consultas médicas e exames de laboratório, recibos e contratos, pasta do IR do ano e arquivo dos anteriores, arquivo dos impostos de carro e imóveis, atestados de inss, enfim... vida de adulto é cheia de papéis. Vou dando conta de vencer a maior parte das traças, outra já me destroçou. Minha parte destroçada manda lembranças. Um naco de memória.
Hoje seria dia de comemorar uma parte da história, a do decreto de libertação da escravatura. Nunca fomos livres de fato por causa do capital herdado. Enquanto as riquezas produzidas sobre o fundamento do trabalho escravo não tiverem sido amplamente distribuídas, inclusive entre seus descendentes, não haverá liberdade. A liberdade consiste na possibilidade de escolha. A imposição do direito de herança nos faz diferentes. O legado cultural dos negros trazidos cativos, tampouco foi valorizado, é um bem difuso, incontável, um naco.
Já não vivo mais na senzala, tenho minha choupana, um quase bangalô, uma baiúca bem ajeitada num morro onde há água e sol. Pago por quase tudo com o pouco que recebo do trabalho. Nunca vivi de renda, sempre fiz reserva, meu lucro é só vencer a cada dia. No final do dia conto as dores que mantêm viva minha consciência de corpo. Meu luxo é poder imaginar livremente antes de dormir.
Já não leio mais na cama antes de me deitar. A cama é lugar para dormir e durmo a noite inteira, sem temores. A abstenção de tevê ao pé da cama fez-me bem. Algumas atitudes tomadas recentemente me deixam bem mais disposta para as atividades do dia. Uma delas é manter o hábito de desjejum matinal. Meu humor melhora consideravelmente. Prepara-me para acordar, e preparar-me para dormir são atitudes de qualidade de vida.
O único problema de ter casa é que temos que lidar com a vontade de ficar em casa. Além disso, o serviço doméstico é extremamente fatigante, não acaba nunca. Ainda estou às voltas com o arquivo do lar, todo enfiado em sacos plásticos azuis, prontos para despejo, mas ainda devendo preencher os fichários para notas de eletrodomésticos e garantias, recibos de contas pagas classificadas por empresa e data, recibos e registros de consultas médicas e exames de laboratório, recibos e contratos, pasta do IR do ano e arquivo dos anteriores, arquivo dos impostos de carro e imóveis, atestados de inss, enfim... vida de adulto é cheia de papéis. Vou dando conta de vencer a maior parte das traças, outra já me destroçou. Minha parte destroçada manda lembranças. Um naco de memória.
Hoje seria dia de comemorar uma parte da história, a do decreto de libertação da escravatura. Nunca fomos livres de fato por causa do capital herdado. Enquanto as riquezas produzidas sobre o fundamento do trabalho escravo não tiverem sido amplamente distribuídas, inclusive entre seus descendentes, não haverá liberdade. A liberdade consiste na possibilidade de escolha. A imposição do direito de herança nos faz diferentes. O legado cultural dos negros trazidos cativos, tampouco foi valorizado, é um bem difuso, incontável, um naco.
Já não vivo mais na senzala, tenho minha choupana, um quase bangalô, uma baiúca bem ajeitada num morro onde há água e sol. Pago por quase tudo com o pouco que recebo do trabalho. Nunca vivi de renda, sempre fiz reserva, meu lucro é só vencer a cada dia. No final do dia conto as dores que mantêm viva minha consciência de corpo. Meu luxo é poder imaginar livremente antes de dormir.
Já não leio mais na cama antes de me deitar. A cama é lugar para dormir e durmo a noite inteira, sem temores. A abstenção de tevê ao pé da cama fez-me bem. Algumas atitudes tomadas recentemente me deixam bem mais disposta para as atividades do dia. Uma delas é manter o hábito de desjejum matinal. Meu humor melhora consideravelmente. Prepara-me para acordar, e preparar-me para dormir são atitudes de qualidade de vida.
“Na senzala, úmida e estreita, brilha a chama da candeia....”
“Tragédia no lar” me dá arrepios. Quero ter forças para não enlouquecer, para não ter meus filhos tomados de mim pelos hipócritas!
Eu fecho minha aura e meus corpos astrais para toda presença humana, não humana e espiritual que venha contra mim. EU DOU GRAÇAS.
Neste pensamento um naco de ansiedade.
“Na senzala, úmida e estreita, brilha a chama da candeia....”
“Tragédia no lar” me dá arrepios. Quero ter forças para não enlouquecer, para não ter meus filhos tomados de mim pelos hipócritas!
Eu fecho minha aura e meus corpos astrais para toda presença humana, não humana e espiritual que venha contra mim. EU DOU GRAÇAS.
Neste pensamento um naco de ansiedade.
Nacos de pensamento
Penso e não desisto, escrevo por que insisto em me manter fazendo algo que não seja só ver tevê e ler o que vem carimbado pelo tesouro nacional...

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