Friday, February 20, 2009

um sujeito sintonizado

Esbarrei num sujeito “dazantigas” hoje. Um amigo bizarro que gostava mesmo era de rádio. Quando a Internet ainda era uma idéia, ele achava que só daria certo se a rede transmitisse uma boa rádio, e se fosse via rádio, pois telefone nem chegava a todos os lugares do país. E mais, a Internet era apenas o rádio melhorado, saca um rádio com teclado? Para ele rádio era o veículo de comunicação mais completo. Nossos gravadores National, orgulhosamente portados, por mais que tivessem auto-stop, rewind automático, auto-eject e até pause, não eram nada não fosse pelo rádio. “Tem que tá sintonizado”. Dizia que só via rádio podia-se, por exemplo, efetivamente fazer ensino a distância, o resto era complementação. Inclusive, a escola era complemento do rádio, e não o contrário (rádio como recurso para educação escolar). Assim ele pensava e continuou pensando enquanto os séculos viravam.
O sonho de ter sua própria rádio esbarrou na realidade concreta e se despedaçou em pequenas peças de locução que ele transmitia dentro do próprio carro, seu único veículo ao longo da vida. As transmissões da rádio iniciavam logo cedo, a caminho das escolas das filhas e se estendiam, houvesse ouvintes ou não, durante os curtos trajetos do dia. Aos poucos, suas filhas tiveram programas inteiros para ler o horóscopo ou relatar passeios da escola, as colegas de carona viravam convidadas especiais em programas de entrevistas, e todo mundo entrava na brincadeira. Por fim, a rádio passou a ser transmitida também fora do carro e os “causos” pitorescos se acumularam, como aquele com o guarda rodoviário que acabou entrevistado ao vivo, em plena blitzen; a gravação da entrevista daquele tio que reaparecera depois de andar sumido por trinta anos e ele só responde puff, nham, ham-ham, mmmmm, ahn! A família se divertia muito mesmo.
Com o tempo, a coisa foi ficando mais profissional, com leitura do prefixo, vinhetas, chamadas da programação, intervalos para ouvir as músicas do cassete player (roadie star, modelo anos 70). Adquirido um microfone caseiro para o “3 em um” da Phillips, já eram até editadas fitas com anúncios, dingles, e seleções musicais! “Sua mãe informa: amanhã será feita des-inse-ti-za-ção TOTAL! Vamos acabar com as baratas! Para seu melhor conforto e saúde! Solicita-se, no entanto, aos proprietários de quartos na casa, que facilitem a entrada dos profissionais recolhendo suas calcinhas do chão!” (segue Michael Jackson: Thriiiiiiiiiiller! ”) “Os famosos Doces da Vovó , hoje, em oferta no Lanche das Cinco” (segue: “Just a Spoon Full o’ sugar”).
Se não me engano, na nossa última esbarrada a transmissão da rádio já tinha passado a ser contínua, 24 horas no ar. Daí, onde não havia botão de desligar, a pedido do público ouvinte, foi instalado, pelo menos, um botão de controle de volume, acionado por Autocontrole Remoto Ótico: era no olhar das pessoas que ele percebia a hora de baixar o volume, já que não conseguia mais parar de transmitir. Assim, suas locuções tinham virado resmungos e as músicas eram “humminadas” o dia inteiro para os caros ouvintes colegas na empresa de tevê, onde ele sempre foi considerado ótimo técnico, apesar de meio “no ar”.
Acabou que a rádio nunca deu lucro, nem subiu no poste, nem alcançou lugar nos satélites e não passou do que chamamos de rádio “prosprópriosbotões”. Os poucos de nós, com antenas para captar essas ondas, quando esbarramos botões nos botões num abraço de reforçar laços com esse sujeito, sabendo-nos ao vivo, no ar, para todo o mundo, transmitimos um alô caloroso aos nossos queridos vivos. Para terminar, mandamos avisar, cá dos confins do nada, que estamos vivos!

Friday, June 13, 2008

Encontro Turiba, poeta, logo cedo. Todo suado da caminhada de três km que faz aos fins de semana, de casa à banca de jornal no posto de gasolina. Eu tinha acabo de ler o nome dele no jornal, como um dos participantes da homenagem ao também poeta Reynaldo Jardim. Hoje, particularmente, não vou poder ir, minha filha dança no mesmo horário, estarei engajada neste outro compromisso. Da lista vejo que conheço todos os convidados a se apresentarem cantando, declamando ou tocando. Já havia me ocorrido que passei a vida no melhor círculo cultural da cidade sem, no entanto, penetrar nele. Sem talento nem esforço para ser um expoente, limitei-me a ficar assistindo. Mesmo fazendo parte só do público não fiquei anônima na multidão. Vários deles me conhecem pelo nome. Só não sei se sou lembrada como aquela incompetente, que não deu em nada, nem para ninguém, ou quase ninguém, ou se realmente fiz algo de relevância. Certamente algo bem pequeno, pois não publiquei, não apresentei, nem formulei nada. Acho que eles são artistas elegantes e gentis, que reconhecem em mim a educação silente de assistente.

Leio nos jornais que aqueles policiais que furam as faixas de pedestres agora vão fiscalizá-las, valei-me! Caso de raposa vigiando galinheiro! Vejo sempre viaturas e
motos da PM desrespeitando faixa, lá na UNB é diário. Fazem isso de uniforme que dirá à paisana!

A tal da alfabetização dos adultos, sempre uma boa propaganda de governo, sempre se valendo do trabalho voluntário (não pago). Essa parceria com ONG para alfabetizar, mascara a falta de interesse e investimentos por parte do governo para efetivamente assumir a responsabilidade pela alfabetização, que implica pagamento aos alfabetizadores. Para pagar professores nunca há verba, para pagar policiais não há orçamento que chegue. É humilhante! As próprias ONG têm seus dirigentes implicados em fraudes e corrupção. Nas ruas uma porção de carrões carrega caros colegas onguistas, enquanto seus professores têm que se contentar com ajuda de custo que não cobre sequer o custo do transporte!

O tempo tem passado mesmo mais rápido, mal dá para fazermos as tarefas mais básicas de manutenção do nosso organismo, sempre meio frágil demais diante do seu potencial descrito na bula. Meu corpo, dizem, poderia produzir muito mais do que os 10% que efetivamente produz, alcançando a perfeição. Nem sei bem se quero a perfeição, apenas sossego já me deixa feliz. Hoje entendo que as funções superiores do meu cérebro são coordenadas por Emília e Amélia, duas neurônias muito ocupadas com a massa restante, cuja função é manter os sinais vitais ativos. Quando quero mais do que os sinais vitais, eu piro. Minha imaginação toma conta do meu pouco tempo. Entre os devaneios, me vejo assistindo novamente todos os filmes que considero marcantes na construção do meu pensamento durante minha história aqui, agora. Lamentavelmente, minha memória vai descendo em caixinhas muito fora de ordem. Com a Bárbara e Diana, pensei em montar um círculo de conversas sobre filmes marcantes na vida da mãe. Quem sabe escolhendo um por década, ou por tema, representativos, saca? Sim, por que, até onde entendo, eu tenho uma carga considerável de filmes na minha trajetória secular...
O que vi de musicais que eu veria 500 vezes mais? Quais destes eram “top” de mercado? Quais eram os que estudei em sala de aula – either como professora or student. (My mind still turns into one or another language, subconsciously, ind amais que escrevo enquanto ouço “The Little Prince”, numa versão em ingles por falta de versão em francês, acredita?, uma obre originalmente em francês, não encontra DVD que lhe respeite?). Aind agosto de estudar línguas, com filmes, por exemplo.
Entre os musicais listamos:
Grease (no acervo doméstico) , Saturday night fever, footloose, the sound of music (no acervo), west side story (não vimos), hair ( a adquirir), mary poppins (a adquirir), flashdance, e isso daria. Acabamos vendo também: ET (a adquirir) e Fábrica de chocolate (no acervo), The Little Prince ( a adquirir) e não me lembro mais do que vimos recentemente, nem quantas vezes. Minhas alucinações aumentam, imagino que poderia manter um acervo de pelo menos 50 dvd´s, escolhidos entre os assistidos por mim e por elas. Os preços não me permitem. Não só os preços dos dvd´s, mas, principalmente, dos espaços e ambientes necessários para guardá-los. Sem contar, que temos os livros!

Talvez eu consiga alguma disciplina se estabelecer uma rotina. A hora marcada, o tempo contado, o controle sobre os atos, talvez me favoreçam. A cada dia tento um pouco mais diminuir os improvisos, manter compromissos, mas falho. O tédio acaba me dominando antes que eu repita algo pela quarta vez, não espera nem mais de três! Não amo meu companheiro tédio, mas tenho aprendido a viver com ele mesmo assim.

Na verdade, acho que eu uso e abuso do tédio como motor para minhas atividades, é graças a ele que dou saltos, que me lanço às rupturas e me aventuro no nada a ver, ou tudo a ver, pela contradição.

Admiro, por exemplo, a coragem e a força de quem empreende, investe e ativa na cena cultural brasiliense. Especialmente em Brasília. A persistência de algumas pessoas que vi crescerem junto com a cidade é admirável!

Eu cada vez mais covarde! Quando me pego imaginando uma empresa, já me recolho de preguiça: juntas comerciais, impostos, projeto com planilha de custo, empréstimo no banco, divulgação, batalha diária... Suspiro e, antes de qualquer coisa, piro! Entro num turbilhão de idéias e me recolho sem escrever. Já enjoei de tanta prostração. Vou desenterrar entusiasmo em alguma plantação.

Sonho com uma toca, para projetos pedagógicos, talvez. Tecnologia, operacionalização, comunicabilidade e assessoria (ações) em projetos pedagógicos. Toca projetos pedagógicos. O que seria? Uma firma, com numero registrado na junta comercial, para empreender ações de assessoria e intermediação de contratos de mão de obra e fornecimento decursos, ou fornecimento de equipamentos, para empresas e organizações sociais em projetos pedagógicos escolares ou extra-escolares.por quê esperar? Tudo é sonhar... Fernando Pessoa, no correio de hoje

O único problema de ter casa é que temos que lidar com a vontade de ficar em casa. Além disso, o serviço doméstico é extremamente fatigante, não acaba nunca. Ainda estou às voltas com o arquivo do lar, todo enfiado em sacos plásticos azuis, prontos para despejo, mas ainda devendo preencher os fichários para notas de eletrodomésticos e garantias, recibos de contas pagas classificadas por empresa e data, recibos e registros de consultas médicas e exames de laboratório, recibos e contratos, pasta do IR do ano e arquivo dos anteriores, arquivo dos impostos de carro e imóveis, atestados de inss, enfim... vida de adulto é cheia de papéis. Vou dando conta de vencer a maior parte das traças, outra já me destroçou. Minha parte destroçada manda lembranças. Um naco de memória.

Hoje seria dia de comemorar uma parte da história, a do decreto de libertação da escravatura. Nunca fomos livres de fato por causa do capital herdado. Enquanto as riquezas produzidas sobre o fundamento do trabalho escravo não tiverem sido amplamente distribuídas, inclusive entre seus descendentes, não haverá liberdade. A liberdade consiste na possibilidade de escolha. A imposição do direito de herança nos faz diferentes. O legado cultural dos negros trazidos cativos, tampouco foi valorizado, é um bem difuso, incontável, um naco.

Já não vivo mais na senzala, tenho minha choupana, um quase bangalô, uma baiúca bem ajeitada num morro onde há água e sol. Pago por quase tudo com o pouco que recebo do trabalho. Nunca vivi de renda, sempre fiz reserva, meu lucro é só vencer a cada dia. No final do dia conto as dores que mantêm viva minha consciência de corpo. Meu luxo é poder imaginar livremente antes de dormir.

Já não leio mais na cama antes de me deitar. A cama é lugar para dormir e durmo a noite inteira, sem temores. A abstenção de tevê ao pé da cama fez-me bem. Algumas atitudes tomadas recentemente me deixam bem mais disposta para as atividades do dia. Uma delas é manter o hábito de desjejum matinal. Meu humor melhora consideravelmente. Prepara-me para acordar, e preparar-me para dormir são atitudes de qualidade de vida.
O único problema de ter casa é que temos que lidar com a vontade de ficar em casa. Além disso, o serviço doméstico é extremamente fatigante, não acaba nunca. Ainda estou às voltas com o arquivo do lar, todo enfiado em sacos plásticos azuis, prontos para despejo, mas ainda devendo preencher os fichários para notas de eletrodomésticos e garantias, recibos de contas pagas classificadas por empresa e data, recibos e registros de consultas médicas e exames de laboratório, recibos e contratos, pasta do IR do ano e arquivo dos anteriores, arquivo dos impostos de carro e imóveis, atestados de inss, enfim... vida de adulto é cheia de papéis. Vou dando conta de vencer a maior parte das traças, outra já me destroçou. Minha parte destroçada manda lembranças. Um naco de memória.

Hoje seria dia de comemorar uma parte da história, a do decreto de libertação da escravatura. Nunca fomos livres de fato por causa do capital herdado. Enquanto as riquezas produzidas sobre o fundamento do trabalho escravo não tiverem sido amplamente distribuídas, inclusive entre seus descendentes, não haverá liberdade. A liberdade consiste na possibilidade de escolha. A imposição do direito de herança nos faz diferentes. O legado cultural dos negros trazidos cativos, tampouco foi valorizado, é um bem difuso, incontável, um naco.

Já não vivo mais na senzala, tenho minha choupana, um quase bangalô, uma baiúca bem ajeitada num morro onde há água e sol. Pago por quase tudo com o pouco que recebo do trabalho. Nunca vivi de renda, sempre fiz reserva, meu lucro é só vencer a cada dia. No final do dia conto as dores que mantêm viva minha consciência de corpo. Meu luxo é poder imaginar livremente antes de dormir.

Já não leio mais na cama antes de me deitar. A cama é lugar para dormir e durmo a noite inteira, sem temores. A abstenção de tevê ao pé da cama fez-me bem. Algumas atitudes tomadas recentemente me deixam bem mais disposta para as atividades do dia. Uma delas é manter o hábito de desjejum matinal. Meu humor melhora consideravelmente. Prepara-me para acordar, e preparar-me para dormir são atitudes de qualidade de vida.

“Na senzala, úmida e estreita, brilha a chama da candeia....”

“Tragédia no lar” me dá arrepios. Quero ter forças para não enlouquecer, para não ter meus filhos tomados de mim pelos hipócritas!

Eu fecho minha aura e meus corpos astrais para toda presença humana, não humana e espiritual que venha contra mim. EU DOU GRAÇAS.

Neste pensamento um naco de ansiedade.
“Na senzala, úmida e estreita, brilha a chama da candeia....”

“Tragédia no lar” me dá arrepios. Quero ter forças para não enlouquecer, para não ter meus filhos tomados de mim pelos hipócritas!

Eu fecho minha aura e meus corpos astrais para toda presença humana, não humana e espiritual que venha contra mim. EU DOU GRAÇAS.

Neste pensamento um naco de ansiedade.

Tento organizar meu dia par anão começar chorando perdas. Levantar-se na hora, higiene pessoal, comida do cachorro, roupas e mochilas de escola para crias, arrumar cama. Caminho com carro seguro, limpo, pago. Café da manhã na padaria favorita. Chegar na hora, passar na secretaria, ver agenda, fazer comunicados na escola. Tudo ok. E, agora?
Tento manter agenda, lembrando: casa, eu, trabalho. E tem q ter uma ordem. Casa em primeiro? Casa sou eu ampliada para o coletivo família. Meu pequeno caos particular e íntimo vem depois de providenciado o lixo para fora, banheiro lavado. Meu exercício atual é pensar esta ordem, buscando alterar as prioridades, para abrir espaço para o eu, e o trabalho. Na verdade não sei qual o ponto de equilíbrio.

Não tenho mais a paciência de ler. No jornal, corro os olhos pelas notícias buscando o que é familiar, o que já sei. Vejo o q se passa na tv, pelo jornal. Confiro quem são as pessoas conhecidas q estão em destaque na agenda cultural, medito com o horóscopo (2 minutos e já esqueci!), ultimamente tenho feito as palavras cruzadas.

Leio no correio do brasiliense sobre um problema do qual venho falando há tempos, andar em Brasília de leste para oeste é trauma certo. Em alguns horários é intransitável, inda mais que os quadrúpedes ao volante se esmeram para mostrar como são criativos no trânsito, inventando formas de conseguir para si um minuto a mais.

As histórias reais são mais fantásticas do que algumas obras de ficção que leio. As notícias que se dão do caso Isabela, em são Paulo, ainda me causam arrepios. Agora esta do pai que trancava a filha no porão! Anos! Tiveram sete!!! filhos e a mulher dele nunca ouviu choro de bebê?! Caraca!!! O cara leva tres filhos para viverem com a velha e ela se resigna? Essas pessoas existem mesmo? Fico imaginando as mil loucuras de uma relação perversa com o pai...a idéia do sexo violento é excitante, apavorante. É a parte do terror que nos faz ir ao encontro dele?

desisti de pensar muito, resolvi pensar bem

Minha cabeça fica cheia de pensamentos e imagens, tento controlá-los, em vão. A fadiga tom conta de mim, me cansa ficar imaginando o futuro pretérito. Busco, então, uma posição relaxada e fico tentando pescar despensamentos. Esta é minha maneira de esvaziar-me do mar de conflitos que inunda minhas idéias.

Começo o dia com os aborrecimentos crônicos do cotidiano. Primeiro que o jornal não está à mão, numa bandeja de café fresco, pão-manteiga e frutas. Mordomia que nunca tive e sempre quis. O negócio é ir à luta.
Uma padaria decente, limpa e com serviços confiáveis é a coisa mais rara neste pequeno trecho distrital, dado que o povo daqui tratou de fazer com que, seja lá o que for feito, ainda somos Goiás e para sempre seremos! Em Goiás o pão é caseiro, o sujeito que vai tomar café da manhã na padaria está fora dos trilhos. Café na padaria é coisa de paulista, de trabalhador de escritório. Como o peão daqui toma café em casa, o peão de fora acaba tendo q tomar café nas banquinhas improvisadas no meio da rua. Não há muita diferença entre as banquinhas montadas ao lado dos pontos de ônibus e as padarias daqui deste bairro... exceto pelo cheiro de mijo. Hoje senti forte cheiro de barata na padaria. Nem reclamo mais. Estou dócil, enfim. Ninguém mais vai me ver fazer cara feia e brigar só por que tem lixo na porta da padaria, ou porque a máquina de café nunca funciona, nem mesmo quando deixarem de ter pão na hora que todo mundo ta indo comprar o lanche da tarde... eles que contratem consultores, se quiserem melhorar, eu vou pegar o carro e ir para as padarias do plano piloto.

Enjoei do plano piloto! Selecionei três ou quatro lugares suportáveis lá, e me repito, par anão correr o risco de ser sempre frustrada nas minhas tentativas de ser bem tratada, de ter a grana que eu gasto valorizada por quem a recebe. Acaba que é isso, vai tudo para o plano piloto. Lá o empresário cuida que o cliente seja atendido e volte. Daqui descem os trabalhadores, às centenas. Aqui no bairro ficam os trabalhadores menos qualificados, os recém chegados da roça, ou que vieram trabalhar no negócio de alguém da família. Muitos crentes. Eu cética. I am.

Mesmo tentando fugir do aglomerado que é o plano piloto, não consigo deixar de me incomodar com abusos de vizinhos. O meu tem 1000 metros para ele, mas só lava o tapete jogando água em cima de mim!

Nunca quis ser colunista, mas sempre li as colunas sociais, desde Katucha. Sempre achei o cúmulo da futilidade, mas sempre li, até para entender pq gastar linhas com a saia linda da fulana, ou com a descrição detalhada de uma mesa de doces... Leio os jornais por hábito mesmo. Não tenho forças para reagir contra o vício. A incapacidade de reter na memória o que leio e a enorme preguiça de reagir escrevendo para o jornal fazem parte de outra característica minha, a imensa preguiça. Leio por preguiça de fazer a faxina, de empreender algo, de cuidar de mim, de ter dentes suficientes para aparece na coluna social.

Com preguiça exagerada até para a faxina de casa, imagina se tenho força de vontade para assumir um papel mais ativo na geopolítica do continente!

Hoje fico sem a coluna do Eduardo Almeida Reis, começo o dia sem as palavras quadradas que gosto de jogar de um lado ao outro da boca com café antes de engolir, sempre incerta se vou mesmo digerir. Aqui no Morro da Coruja, Grande Colorado tem dessas, eventualmente fico sem jornais impressos. A Folha não chega às bancas da periferia e os jornais locais são distribuídos depois das oito! Jornal não é para ser lido no café da manhã, enquanto a gente disfarça a falta de assunto com a família? Aqui, no morro invadido pela classe média, mezzo rural mezzo urbano, estou aprendendo a não ter este vício da leitura dos diários pela manhã. Leio revistas, mas só se não estiver compartilhando a mesa com um bom papo.
Sei que daqui a pouco vou acabar me esticando até o shopping na beira da estrada para me render aos jornais, abastecer o meu fusarKa, sacar do caixa eletrônico todo o meu descontrole, adquirir créditos com a empresa de telefonia celular e me enganar numa xícara de café expresso. Como não é domingo, fico sem a mesa de café colonial ao preço sideral. Gosto de me sentar na padaria e ler os jornais inteirinhos, enquanto como moderadamente um doce, umas frutas, um ao com manteiga, um com geléia, um café um suco um chá, um de cada para não passar apuro depois na balança.
Minha mesa, em casa, é simples, sem os queijos e delicatessen da mesa do Almeida - minha posição na sociedade é bem mais humilde. Mas tenho meus pequenos luxos: frutas frescas do quintal, por exemplo. Para trabalhadora, sem herança de família tradicional paulista ou outra qualquer, ter um quintal com frutas o ano todo é uma super vitória contra o capitalismo, não? Só o fato de escolher viver no meio do mato, já é um ato subversivo e tanto, não? Aqui tenho outra relação com o consumo. Também posso buscar um controle maior dos meus recursos. Na “cidade” fico mais limitada no controle do meu sustento. Supermercado não é quintal de casa, né?
Sem ler o Correio, tenho um pouco mais de tempo para “processar” as notícias do CEAN. O GDF é mesmo muito tacanho! E eu que achei q fosse só uma questão de estilo de governo Roriz, não! Agora vejo que é a estrutura da Secretaria. Nela é que se encontra o favorecimento a governos cegos aos fundamentos pedagógicos da escola, que visam apenas ao ajuste administrativo capaz de fornecer os números que satisfazem aos bancos financiadores dos seus programas. De quebra, ainda desmantelam o parco poder de resistência da comunidade escolar contra a má gestão, a falta de transparência do controle de orçamento e tal. A mídia de mãos dadas com os ocupantes dos cargos de poder, se ocupando de publicar o que o oficial dita ao redator. e eu ainda compro esses jornais!!! (será q o Almeidinha já se sujeitou assim? :-O, ah, não! Não quero crer! O que ele tem de mais gostoso é justamente o quê de rebelde!)
Por que estou eu pensando no CEAN a esta hora da manhã? Puro exercício de pensamento de cidadã! (agora explica pq estou pensando no Almeida, vai!) Não fui aluna lá, nem profa, sempre passei na frente admirada e com vontade de entrar. Não tive filhos lá, mas gostaria de ter e de ter tido. A minha trajetória de pedagoga me faz entender que a escola não é assunto só de quem a tem, mas, talvez principalmente, daqueles que não a têm. Não ter a escola ou não tê-la suficientemente equipada para manter bem aqueles que já estão nela é assunto de pedagoga. A escola que a gente não tem é assunto de todo mundo, penso eu. Por isso penso na situação que aquela escola passa atualmente, com a remoção dos professores de laboratório, após já terem sido desmontadas as equipes de educação em Artes. Não li ainda o Projeto Político Pedagógico do GDF, ando desengonçada para o trabalho, mas tenho visto encaminhamentos semelhantes aos dos governos do PSDB, para o ensino médio. A escola pública do PSDB é aquela mínima, que tenha indicadores de máximo ofertado, que só não é melhor aproveitado pq “o povão é pobre de espírito”, “não sabe aproveitar as oportunidades da sociedade e do mercado”, os aposentados são uns vagabundos, os professores são aqueles que não sabem fazer nada, se soubessem fariam outra coisa, como disse FHC . Pouca escola, escola parca. E eu aqui, me sentindo pequena para consertar os erros dos outros.
Um gavião carijó que circula sobre meu quintal talvez azarando um mamão, talvez um filhote aninhado na oliveira, no céu ‘zulin de junho, em cujas bordas já começam a brotar flocos de nuvens, chama minha atenção para o dia e a necessidade de voltar àquele meu projeto fantástico: sobreviver a pelo menos mais este dia. Sigo sem Almeida, porém, me dando ao luxo de devorar um cacho de bananinhas doces como eu mereço.

Último dia para imposto de renda e eu prostrada. Penso se esta minha displicência é genética ou decorrente de acontecimentos da minha infância e adolescência. Sou bábara e cruel comigo mesma e ainda culpo a mãe e o pai, ainda busco traços em comum com tios e tias, atribuindo a eles o peso da culpa que não quero carregar em mim. Até que ponto eu permito é que é a questão.
Para mim, na verdade é difícil admitir que a gente carrega só o que é dos pais. Tampouco carregamos só um momento dos pais. Acho q considerar apenas este foco, reduz demais a vida do filho/da filha. EU, filha de baiano com paulista, não acho q esta cidade tenha sido construída só por aqueles que assentaram os tijolos do plano piloto! Acho que quem viveu aqui e os filhos que aqui tiveram e cresceram foi que construiu a cidade. O que temos a lamentar é que tão poucos tivessem se apropriado da maioria dos recursos, dos lucros, das riquezas, dos bens gerados na cidade. A cidade alterou e altera continuamente várias ordens que eram dadas como finais e absolutas, mesmo se absurdas, porém não alterou a “naturalidade” em que os primeiros a chegar levam a melhor fatia do negócio. Quem chegou primeiro ao Plano Piloto se deu bem em relação aos outros. E, convenhamos, quem chegou primeiro à Ceilândia se deu bem em relação aos demais, e assim sucessivamente.

Achei que já tivesse dominado por completo meu consumo impulsivo de filmes. Tinha parado de alugar, há quase quatro anos. O cinema me atrai mais, mas eu estava gastando mais do que tinha para gastar. Freei a vontade, resolvi que só veria aquilo que pudesse me valer uma produção de texto pelo menos. Como quase tudo na minha vida, cumpriu-se o ciclo de quatro anos e eu me vejo mudando tudo, sina de filha de militar? Voltei a ver filmes alugados, além de voltar a freqüentar as salas escuras da cidade. No meu preferido cine Brasília este ano eu revi O Evangelho segundo São Mateus, Pazzolini, que gosto de estudar, mas não me fez rever nenhum livro. Gosto dos filmes dele, onde vejo cara de gente, de povo. Vi Casa de Alice, muito realista e muito cara de gente, me fé reencontrar uma parte do feminismo que estava adormecida em mim. Adorei o roteiro. Fiquei com o filme na cabeça por vários dias. Não quis ir ver Padre Patrone, ando deprimida demais e me lembro do tanto que chorei quando o vi pela primeira vez. Em vez de rever filmes tristes só por que é no Brasília, eu investi em ampliar minha tolerância às salas de projeção em shoppings. Ai, até aderi às pipocas. Vi todos os para crianças que pude: encantada, os porralokinhas, cósmico, acho que não deu mais por que choveu pouco este verão. Aproveitamos o ar livre. Hoje resolvi aproveitar a sessão de 19h30 no deck, lago norte, caminho de casa, why not? Sala vazia, filme nacional, com gianequini! E Malu, minha diva. Jamais serei como ela, menos ainda como a personagem dela no filme.Nem como a Marilia Gabriela. Meu destino é mesmo ser mulherzinha.

detesto ter razão

A razão me faz chata, ranzinza , resmungona. Sabe a “tia” supervisora, inspetora de segurança? Sou eu, sem treinamento profissional, fico parecendo aquelas velhotas neuróticas, vigiando as nuvens no horizonte enquanto todos se divertem na cachoeira, sacumé? Mas, às vezes dou razão à intuição, que ao contrário, é mágica, sem explicação, mas com a certeza de ser o correto. Ainda antes de ontem tive uma intuição, escolhi não ir adiante num passeio que não me pareceu seguro e tive que arcar com o com o conseqüente mau humor de quem queria seguir explorando as margens do córrego barrento até uma outra queda de água que justificasse a sacrificada caminhada até ali.eu sou a mãe chata que não merece favores nem licença, que merece ser castigada por ter sua esdrúxula vontade prevalecer , ainda que meros segundos. Eu sou a bruxa má que fica repetindo como é perigoso este tipo de passeio, sem guia, cuidados com chuvas nas cabeceiras, troncos soltos, cobras e outros tipos de animais do habitat natural, pedras escorregadias, saltos em poços, fora as perebas! Logo, eu sou a que deve ser castigada e mantida escrava. No entanto, eu estava correta na minha razão/ intuição. Beira de rio, assim como beira do mar, tem delícias e horrores. Sem saber, talvez estivesse salvando nossas vidas. Registrei minha decepção por não encontrar corrimão e equipamentos de segurança, a atendente da recepção me respondeu vagamente como se o lugar estivesse 100%.Tava nada! Já no começo da trilha senti falta da sinalização representada no mapinha distribuído na entrada - atente-se: um fato raro para o estado de Goiás, que carece de papel desde os tempos de Dom João! Só de ter uma informação por escrito já me sinto confiante e abusada o suficiente para me embrenhar na mata. Mas, ao ver que a realidade não era condizente com o marketing, não ousei um passo além. Hoje lamento ao tomar conhecimento da fatalidade que sofreu um morador de Brasília, proprietário de casa na vila de São Jorge, portanto, freqüentador assíduo de beira de rios, inclusive o córrego Raizama. Aprendi com minha mãe, todo cuidado é pouco, pois todo perigo é muito!

Irresponsável e inconseqüente, segui sem vacina para a beira do rio são Miguel, na chapada dos veadeiros. Eu precisava só de um banho e um barulho bem grande para poder despensar. No século vinte e um é fácil ser vagabond, como eu, basta vestir-se na pelo de turista e você está liberado para ficar sem fazer nada por horas! Levei minha memória fotográfica para o vale da lua – “segundo lugar mais visitado” me informa o guia, e para o vale das pedras – retiro particular que recebe visitantes com uma galinhada preparada na hora, se a esposa do Miro estiver lá, caso contrário, só tira-gosto – a mandioca é fresca do quintal. Um luxo poder contar com espaço e tempo para lazer no meio da natureza, ainda mais com mimos e segurança para as crianças e gastando só a metade de um salário!...
A Vila de São Jorge é um dos poucos lugares em que não vi marca da pata da mula de Dom Pedro II no Brasil colonial. Os resíduos do garimpo são do início do século vinte, mas os bandeirantes já haviam registrado passagem pelas bandas de lá. Dizem que a maior jazida de minérios do Brasil está bem aqui na região central e muito provavelmente dentro do parque da chapada. Se fora, o Eike Batista já estaria nas redondezas... De fato, o povo brasileiro tem mania de achar que as maiores riquezas estão aqui, só não parecemos nos importar muito com gerenciá-las a nosso favor, não é? Se não vi construções remanescentes da colônia, nem do Império, pelo menos encontrei alguém nativo daqueles que falam “ni”, ni tal lugar, ni casa de quem? Adoro! Quando as estórias começam com “ostrodia”, então! Delícia pura como a água que corre do rio moldando formas lunares nas pedras. Fico pensando que tipos de produtos poderiam ser desenvolvidos ali para uma renda melhor daquelas pessoas. Imagina! Logo eu que não quero ocupação capitalista pensando o tempo todo como aquelas pessoas poderiam ter mais dinheiro circulando, pelo menos para consumir e produzir um pouco mais de papel! Será que eu me sentiria feliz fazendo as vezes de uma mascate neste povoados e lugarejos sem papel do meu brazilzinho velho? Eu carregando uma mula cheia de livros novos e usados para trocar e vender, subindo e descendo uma chapada. Só capricornianos pensam este tipo de coisa quando querem descansar, né não? Descansei carregando toalhas, cremes, guloseimas, roupa extra, papel e caneta, água e crianças para caminhar no mato, entre pedras, no ardente sol do cerrado. Sem qualquer equipamento fotográfico desperdicei a chance de deixar as crianças registrarem sua visão das flores, das pedras, das águas, das gentes de lá. Não ganhei dinheiro lá, só gastei, ou melhor, investi: na Nenzinha e seu filho, na Mônica e a potencial parceira Carla. Quero que eles estejam lá se um dia eu voltar vendendo livros e revistas. Ah se eu tivesse a coragem do Eike... ia começar um negócio de ouro!

Naco de pensamento 14/02/2008

Alguma coisa botou na minha cabeça que gosto de Machado de Assis, assim, leio-o sempre que calha. Houve tempo em que atribuí meu hábito de leitura de livros de bolso ao período em que morei na Inglaterra. Mas hoje percebo que eu já lia edições de bolso vendidas em bancas, que eu encontrava nos armários dos tios. Depois que alcancei altura suficiente para pegar os livros dos tios e tios escondidos sobre os armários “fora do alcance de crianças, passei muitas chuvas de verão me deliciando com estórias de cowboys e romances urbanos. Mas, na Inglaterra era diferente, eu lia os clássicos, Aghata Cristhie (é assim que se escreve?),sir Doyle, Poe, tudo em pocket nas longas viagens de ônibus. Hoje já os vejo nas lojas que importam, são da mesma editora. Editoras são instituições bem sólidas e lucrativas. O fenômeno da digitalização do mundo, da popularização do acesso virtual e demais tecnologias mais recentes, só fizeram ampliar também a demanda e a produção de material impresso. Hoje leio pockets da l&pm, ainda resistente aos traduzidos, preferindo ler nas línguas originais, mas sem muito acesso, pois estamos atrasados na importação por mais que tenhamos nos adiantado aos tempos em que estive inglesa. Luto contra a tentação de tê-los todos em casa, não há espaço, como nas casas de operários ingleses. Penso em investir num projeto de acervo comunitário. Um depósito para meus livros e acesso para outros leitores. Ou talvez engrosse acervos já estruturados: o projeto de livros nas paradas de ônibus, ou a biblioteca do presídio, onde já temos cursos de licenciatura. De qualquer maneira continuo adquirindo-os nos aeroportos, e lendo-os nos caminhos. O fato de ter que dirigir, eu já observara uma vez, me tirou muito do hábito de leitura. Estou retomando a disciplina. Também vou tentar tocar leituras. Isso dá mais trabalho por que tenho que voltar a freqüentar a comunidade leitora. Ou seja, necessariamente voltar ao mundo virtual. Isso, para estar em contato com o mundo. Andei até me esforçando para fazer visitas. Consegui ir ver o Ricardo e a Rosiene, com sua família de leitores. Deixei o Moonfleet e O Deus Das Pequenas Coisas. Trouxe Machado de Assis: Ressurreição. Não deitei lágrima nenhuma. Li-o devagar, adorando as palavras as descrições, a narração. Suspirei ao final, pensando se eu também não tenho um coração frio, desconfiado e portanto fadado a ser infeliz.

Wednesday, May 18, 2005

Pergunte-se

As sociedades nas suas diferentes épocas sempre se reservaram um certo repertório de perguntas aceitas. Algumas coisas não se perguntam nunca (qual sua idade, dona?), outras repetimos com freqüência (você vem sempre aqui, gatinha?). Uma pergunta mal colocada arrisca demonstrar a falta de educação de quem pergunta. Por outro lado, uma pergunta bem feita denota a força e a cultura de quem a faz. O tipo de pergunta, muitas vezes nos faz pensar que quem pergunta já sabe a resposta (você tem outra?). Outras apenas demonstram a vontade de não saber (você tem outra?). Quem nos ensina a fazer perguntas? As perguntas andam esquecidas por aí...Paulo Freire, um filósofo que granjeou respeito e autoridade no mundo inteiro pelo seu pensamento e atuação na educação, e por isso é sempre lembrado, já denunciava nos anos 70 que a nossa escola é uma escola de respostas, quando deveria ser de perguntas, "a única capaz de estimular a capacidade humana de assombrar-se, de responder ao seu assombro e resolver seus verdadeiros problemas essenciais, existenciais". Então, por que a escola não ensina a perguntar? A natureza desafiadora da pergunta mexe com a ordem estabelecida, provoca a autoridade, por isso muitos professores manifestam insegurança quanto à própria capacidade de dar respostas à todas as perguntas de seus alunos. Esta insegurança não é exclusividade dos professores, se reflete em outras esferas da sociedade. Mas, quem se sente capaz, por exemplo, de responder como acabar com a fome, a miséria, a corrupção, a guerra, as injustiças, a má distribuição de renda e terra, a Aids, o câncer? Não são estas as coisas que realmente nos importam saber? E, como saber? O exercício de formular perguntas é extremamante importante para os professores, uma vez que todo conhecimento começa com uma pergunta, mas também deve ser uma tarefa diária de todos nós. Porém, não de perguntas idefinidas, estas são fracas, qualquer um pode respondê-las. Algumas, ao contrário, nós remetemos aos deuses e aos oráculos de tão fortes. Tanto mais forte a pergunta, mais difícil de respondê-la. (será que vamos ganhar o campeonato?). A pergunta nos leva a saber mais. Às vezes precisamos de estratégias de força para saber mais, veja a polícia como faz. Afinal, nem todos querem compartilhar saber e conhecimento. O exercício de perguntar poderia nos levar a uma distribuição de poder mais democrática. O segredo da resposta dá força e poder a quem a sabe. Queremos saber os segredos da Microsoft para produzirmos nossos softwares livres, não é? No Brasil, onde não há financiamento suficiente, onde os salários dos professores são tão baixos, onde as escolas públicas são sempre sucateadas, onde os materiais didáticos são tão mal produzidos e distribuídos, a pergunta que não quer calar é: a educação é mesmo um valor?